Roberto Leão considera que poucas pessoas se interessam a seguir na profissão

negocios ATMEm reportagem do jornal O Estado de S. Paulo, dados da Relação Anual de Informações Sociais (RAIS) dão conta de que, pelo menos no Estado de São Paulo, de todas as profissões que exigem formação superior, os professores são os que recebem os menores salários.

Pelo parâmetro das classes profissionais com mais de 20 mil registros, o salário de nível universitário mais baixo é o dos docentes de ensino fundamental. Em 2012, cerca de 53 mil pessoas que exerciam a profissão receberam, em média, R$ 2,2 mil mensais, menos do que os R$ 2,6 mil que ganham os supervisores de telemarketing, os R$ 3,3 mil dos agentes penitenciários e dos R$ 3,4 mil dos ferramenteiros.

Ainda de acordo com a RAIS, a situação torna-se mais agravante quando se trata de alguns professores de disciplinas específicas. No ano passado, apurou-se que um professor universitário de Matemática Aplicada, por exemplo, recebia em média R$ 1,8 mil por mês, ao passo que um professor de educação infantil com diploma universitário ganhava R$ 1,7 mil.

Os números mostram que a remuneração média dos docentes no Brasil é 40% menor do que dos profissionais com a mesma titulação. Segundo a análise da RAIS em São Paulo, um professor de ensino fundamental recebe 71% a menos que um engenheiro civil, profissional mais bem pago, segundo o estudo.

“É uma vergonha que o Estado mais rico do País apareça com esse índice salarial. É uma profissão que não atrai ninguém e hoje o problema atinge todas as áreas e disciplinas”, disse Roberto Leão, presidente da Confederação Nacional dos Trabalhadores em educação (CNTE).

Fonte: Paulo Saldaña e Rodrigo Burgarelli (Estadão.com)