ProfessorNews conversou com intercambistas de quatro países

usp feaRecentemente, o Brasil tornou-se um polo competitivo no mapa acadêmico de intercâmbio internacional, onde muitos estrangeiros têm escolhido nosso país em vez das "figurinhas fáceis", como Estados Unidos e Europa. Por isso, o Portal ProfessorNews conversou com sete estudantes de quatro nações e de três continentes, sobre suas experiências e valores adquiridos em seus estudos de graduação no Brasil.

Ana Branco, de Portugal; Victor David, da França, Victor Acevedo Blanco, Jenny Fernandez, Juliana Garcia e Felipe Noreña, da Colômbia, e Yui Kawamura, do Japão, trilharam pelos Estados de São Paulo e Bahia para adquirirem excelência acadêmica que não encontraram em seus países.

estudantes estrangeiros jenny fernandezJustamente sobre esse assunto, Jenny Fernandez, 23 anos, estudante de Design Industrial na UPB Colômbia e intercambista na Universidade de São Paulo (USP), escolheu o Brasil por ser um país avançado nessa área. “Na área do Design, escolhi o Brasil por ser reconhecido no mundo e por apresentar grande interesse em sustentabilidade, além de ecologia desenvolvida. Existem vários temas de estudo nessas áreas e acredito que a minha estadia em São Paulo pode me brindar com conhecimentos que em meu país não posso adquirir”, argumentou.


A mesma opinião não é compartilhada com a estudante de Engenharia Mecânica, Ana Branco, 21 anos, da Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto, intercambista na USP. Segundo ela, a experiência acadêmica não foi das melhores, mas compensou pela cultura que conheceu no Brasil. “Academicamente fiquei um pouco desiludida. Culturalmente, foi uma experiência muito enriquecedora, porque temos uma ligação histórica muito forte. Confesso que o Brasil não era a minha primeira opção de escolha estudantil, mas atualmente é uma potência econômica em ascensão e onde a Engenharia começa a ter um peso importante. Por isso, decidi vir”, sentenciou.

estudante estrangeiro victor davidUm estudante europeu não buscaria outro continente para completar seus estudos, visto que o Velho Continente é considerado o berço da humanidade e das ciências. Mas, estranhamente, Victor Davi, 22 anos, de França, escolheu o Brasil. Segundo o estudante de Engenharia, da École Centrale de Nantes, na França, e intercambista na USP, o Brasil lançou uma nova luz de sabedoria no mundo, enquanto a Europa permanece num tradicionalismo de faculdades. “Eu acho que os Estados Unidos e a Europa ficaram mais clássicos agora. E o Brasil tem uma qualidade de ensino reconhecida. E, a cada ano, realiza mais acordos com a França para atender estudantes que querem vir para cá. A minha escolha se deveu por conta da cultura daqui, pois vi como os estudantes brasileiros representavam seu país na França. O otimismo profissional deles é impressionante e o mesmo não se encontra nas escolas superiores da França”, admitiu.

estudantes-estrangeiros victor acevedoJá o colombiano Victor Acevedo Blanco, 21 anos, estudante de Engenharia de Energia da Universidad Autónoma de Bucaramanga e intercambista na USP, disse que a escolha pelo Brasil foi fácil por considerar o país como o mais desenvolvido da América Latina, além de ser um apaixonado pela cultura tupiniquim. “Escolhi o Brasil porque, na América do Sul, é o país mais desenvolvido na área de produção de energia, inclusive energias renováveis, como o etanol, por exemplo. Conhecer outra cultura é sempre de grande valia, e adorei conhecer novos comportamentos, gastronomia e as pessoas de outras localidades, porque conheci outros intercambistas, não só os estudantes brasileiros. Tenho interesse de voltar para cá e fazer meu mestrado”, prometeu.

estudantes estrangeiros juliana garciaA também colombiana Juliana García, 20 anos, estudante de Design Industrial da Universidad Nacional de Colômbia e intercambista na USP, confessou estar apaixonada pelo Brasil e pretende fixar residência em São Paulo ao fim do curso. “Vim para o Brasil porque os custos aqui são um pouco mais baratos. Aprendi um novo jeito de viver, como ser mais tranquila, mas não relaxada ou despreocupada. Adorei a gastronomia, tanto que engordei cinco quilos. Aprendi também uma nova língua, da qual gostei muito, embora ainda não tenha uma fluência perfeita. Pretendo viver e trabalhar aqui em São Paulo, pois acho que é um lugar que proporciona uma boa qualidade de vida para um profissional; só lamento pela grande burocracia para um estrangeiro trabalhar aqui", completa.

estudante estrangeiro felipeMais um estudante colombiano, Felipe Noreña, 21 anos, estudante de Design Industrial da Universidad Pontificia Bolivariana Medellin e intercambista na USP, apontou a fama de povo amigável do Brasil como principal motivo de sua vinda. “Meu interesse geral é sobre os temas da sustentabilidade e não só pelo lado acadêmico; é uma questão de consciência das pessoas, da consciência coletiva que o brasileiro tem, que é construtiva e positiva, em sua maioria. Pelo menos isso é o que transmite com as atitudes de seu povo, com seus avanços e com seu poder de união. Não quero só o conhecimento, quero conhecer mais a fraternidade brasileira”, comentou.

estudantes estrangeiros yui kawamuraA única intercambista de fora de São Paulo, a japonesa Yui Kawamura, 24 anos, estudante de Letras da Tokyo University of Foreign Studies, aportou em Salvador, na Universidade Federal da Bahia para estudar a Língua Portuguesa. “Eu sou estudante do curso de Língua Portuguesa na minha universidade, no Japão. Então, foi natural vir estudar no Brasil, que tem como língua-pátria o Português. Interrompi temporariamente meus estudos no Japão para estudar no Brasil durante o ano de 2011. Não conhecia muito a cultura brasileira e eu quis conhecê-la de perto. Foi muito interessante, pois tive contato com coisas impensáveis no Japão, tais como o carnaval e a capoeira. Penso em voltar para o Brasil a passeio ou a trabalho”, finalizou.

Reportagem: Equipe Professornews, com colaboração de Edson Hoji