Experiências relatadas pelo Prof. Masakazu Hoji

No início da minha carreira como professor de pós-graduação, eu achava natural que um aluno formado em administração, ciências contábeis, economia e áreas afins dominasse os conhecimentos de matemática financeira, estatística e contabilidade e que era capaz de aplicá-los imediatamente nos casos práticos desenvolvidos de acordo com o conteúdo programático das disciplinas de finanças e controladoria. Essa forma de raciocínio não era absurda, pois eu próprio havia passado por essas experiências como aluno de pós-graduação (reconheço que já faz bastante tempo).
Uma coisa é certa: com tanta informação despejada na cabeça dos alunos e com facilidade de armazenagem de dados (fora do cérebro, evidentemente), fica cada vez mais difícil reter os conhecimentos em detalhes. Na minha época de universitário, na década de 1980, era obrigatório compreender, reter e gravar determinados conceitos básicos para poder aplicá-los profissionalmente, pois não tínhamos a facilidade de armazenagem de dados que temos hoje. Adquiri um “supercomputador” na época de estudante, para facilitar os cálculos de matemática financeira. Era, se não me engano, um equipamento da marca Casio com “potentes 2Kb” de memória e programável como qualquer computador (na época não existia a HP 12c). Os tempos mudaram... E, portanto, a forma de aprendizagem também evoluiu.
Geralmente, no primeiro dia de aula, para descobrir o nível de conhecimento geral da turma, faço um breve diagnóstico sobre a formação e a experiência profissional de cada aluno, bem como as disciplinas que tiveram antes.
Nos últimos semestres, tenho aplicado um método que parece estar dando certo. Como as disciplinas que leciono (planejamento e controle financeiro, avaliação de investimentos, gestão financeira etc.) exigem principalmente a aplicação prática de matemática financeira e conceitos de contabilidade, faço uma breve revisão (com exercícios) dessas disciplinas antes de começar a desenvolver os exemplos práticos de acordo com o conteúdo programático para “sentir” o nível de absorção de novos conhecimentos pelos alunos.
Considerando o ambiente em que os alunos estudaram e suas condições profissionais atuais, traço um mapa do estágio de desenvolvimento acadêmico e profissional em que eles se encontram. A partir desse diagnóstico, tento nivelar os meus conhecimentos aos dos alunos para facilitar a comunicação professor-aluno. Caso contrário, não haveria comunicação e, portanto, não haveria transmissão de conhecimento e nem o aprendizado.
O nivelamento de conhecimento trata-se, na realidade, de “falar a linguagem” dos alunos, ou seja, simplificar o máximo possível os conceitos financeiros complexos até o nível que seja compreensível por eles, para que ocorra a efetiva transmissão de conhecimento e consequente aprendizagem. Como disse a Profª Amyris Fernandez (“Coluna Vida do Professor: aprendendo a ensinar”), o professor deve mostrar o que o aluno deve aprender a fazer, ou seja, o professor deve ensinar o aluno a pescar, dando-lhe a vara de pescar e não o peixe.
Confesso que o que funciona com uma turma nem sempre funciona com outra. Por isso é necessário fazer adaptações e ajustes de acordo com as condições gerais de cada turma. Mas, de forma geral, o método de ensino que passei a aplicar parece ter melhorado o nível de aproveitamento dos alunos.