A professora Lucie Didio dá dicas para produzir bons trabalhos acadêmicos

como produzir monografiasUma das obrigações acadêmicas que mais "assombram" os estudantes universitários é a produção de monografias e trabalhos de conclusão de cursos (TCCs). Muitos estudantes são criativos e dedicados, mas não conseguem transferir adequadamente suas ideias e pensamentos ao papel.

Com o objetivo de ajudar a resolver as dificuldades na produção de trabalhos acadêmicos, a Professora Doutora Lucie Didio escreveu o livro Como produzir monografias, dissertações, teses, livros e outros trabalhos, publicado pela Editora Atlas.

O livro é prático, de fácil leitura. Nessa obra, a autora coloca toda sua vivência tanto discente quanto docente em todos os níveis acadêmicos, procurando dirimir as dúvidas dos alunos quanto à produção textual. Para melhor compreender o que deve ser feito para produzir bons trabalhos acadêmicos ou profissionais, o Portal Professornews conversou com a Professora Lucie Didio, que é professora aposentada da Universidade de Brasília (UnB) e doutora em Ciências da Linguagem pela Universidade de Limoges, na França.

Professornews  Na sua opinião, quais são as principais dificuldades enfrentadas por estudantes e orientadores na produção de trabalhos acadêmicos? E como enfrentá-las?

Lucie Didio  Ao longo dos anos em que me dediquei ao magistério de nível superior, deparei com trabalhos realizados por estudantes – tanto de graduação quanto de pós-graduação – que apresentavam um conhecimento precário, para não dizer nulo, de como fazer um trabalho acadêmico. As principais dificuldades por eles apresentadas são geralmente: efetuar uma pesquisa, organizar o pensamento, pôr no papel suas ideias, entre muitas outras.

Na disciplina Leitura e Produção de Textos, por mim ministrada, orientava os estudantes sobre como produzir, estruturar e apresentar monografias ou trabalhos de conclusão de curso (TCCs) e eles se beneficiavam muito dessa orientação. É preciso lembrar que essa orientação limitava-se à forma, isto é, ao modus faciendi (modo de fazer), e a orientação sobre o conteúdo ficava ao encargo do professor orientador. Acredito que o orientador, ao dirigir as pesquisas dos alunos, já tem trabalho suficiente com o conteúdo do escrito, não devendo, pois, ocupar-se da forma. Sei de orientadores que se dão ao trabalho, diga-se de passagem, ingrato de corrigir todos os erros cometidos pelo aluno em seu trabalho. Essa tarefa, como menciono no livro, deve ser confiada pelo aluno a um bom revisor.

Professornews  Quais as principais diferenças do seu livro em relação a outras obras que orientam sobre a produção de trabalhos acadêmicos?

Lucie Didio  Elenco, a seguir, as principais diferenças:

  1. Outras obras tratam de apenas um tipo de trabalho (ou monografia, ou tese e assim sucessivamente).
  2. A grande maioria das outras obras tem aproximadamente 300 páginas. Sabe-se, de longa data, que o aluno não dispõe de tempo necessário para lê-las e delas extrair o conhecimento sobre como fazer um escrito científico e, além do mais, pesquisar o assunto do seu trabalho e elaborá-lo. O grande diferencial é que meu livro contém apenas 127 páginas; portanto, além de sucinto e enxuto, traz todas as ferramentas necessárias à produção de um bom trabalho. Se, ainda assim, o estudante não dispuser de tempo para ler todo o livro, ele poderá consultar diretamente, por meio do sumário, o tópico em que tem dúvidas.
  3. De modo geral, há obras extensas que tratam de como produzir os trabalhos e outras – igualmente extensas – que tratam de como apresentá-los. Nesse aspecto, a principal diferença de minha obra consiste em conjugar, num único volume, a elaboração, a estruturação e a apresentação não só de monografias, mas também de dissertações de mestrado, de teses de doutorado e de outros trabalhos. E, se quiser, o aluno pode até escrever um livro.
  4. Utilizo, no meu livro, uma linguagem acessível a qualquer estudante que ingressa na universidade, o que muitas vezes não ocorre nos demais livros.
  5. Devido aos anos de magistério, desenvolvi toda uma didática, presente no meu livro, para ensinar os alunos a redigirem bons textos. O que, de modo geral, não se observa nos demais livros que tratam da produção de escritos científicos.

Professornews  Existem excelentes professores com mestrado ou doutorado, mas que não conseguem produzir textos acadêmicos de boa qualidade, não sabem expressar-se adequadamente na forma escrita. Isso teria a ver com fatores como inspiração e criatividade?

Lucie Didio  Infelizmente, essa é uma realidade que também vivenciei na minha longa trajetória de professora. Certa vez, num curso para professores de redação de escolas públicas, a maioria deles confessou não saber redigir o trabalho solicitado pela instrutora. Logo, é preciso perguntar-se: (1) estarão eles realmente habilitados a ensinar redação? E, (2) se eles mesmos não sabem, que dirá dos demais profissionais? Desse modo, existem não só professores, mas também profissionais de todas as áreas, despreparados para expressar-se adequadamente na modalidade escrita do português brasileiro.

Na minha opinião, a produção de textos acadêmicos de boa qualidade nada tem a ver com inspiração e criatividade. Parto do seguinte princípio já testado centenas de vezes: todo e qualquer estudante ou profissional pode redigir excelentes textos, desde que dotado de todas as ferramentas didático-metodológicas necessárias para isso, as quais são contempladas no meu livro.  

Professornews  No seu livro, a senhora afirma que redigir textos é como dirigir veículos: habilidades que podem ser adquiridas. Na sua opinião, como uma pessoa pode ir se desenvolvendo para produzir, cada vez mais, textos acadêmicos ou profissionais melhores?

Lucie Didio  A analogia entre dirigir veículos e redigir textos é muito pertinente porque, com a prática, as instruções pertinentes a cada uma das atividades serão assimiladas e automatizadas. Isso produzirá bons motoristas ou bons redatores, conforme o caso.

Na produção textual, para comunicar bem, é preciso ler bem, pensar bem e escrever. Essas habilidades comunicadoras são explicadas no meu livro Leitura e Produção de Textos: comunicar melhor, pensar melhor, ler melhor e escrever melhor, também publicado pela Editora Atlas.

Professornews  Os professores produzem muitos artigos ou papers, mas poucos produzem livros acadêmicos como os seus. Qual o motivo dessa escassez de produção?

Lucie Didio  Acredito, salvo engano, que artigos ou papers, em primeiro lugar, têm de antemão publicação garantida em revistas especializadas ou em coletânea de vários autores, o que não ocorre com livros, que devem passar pelo conselho editorial de uma editora para serem publicados. E, em segundo, são bem menos extensos do que livros, requerendo o dispêndio de menos tempo para sua preparação. Por exemplo, meus dois livros resultaram de mais de vinte anos de pesquisa e de exercício do magistério superior.

Professornews  Quais recomendações a senhora daria para quem deseja produzir monografias, dissertações ou teses, livros e papers?

Lucie Didio  Pela minha experiência, eu diria que o candidato a produtor de textos deve ter, antes de tudo, o gosto ou até mesmo paixão pelo conhecimento. Isso significa ler muito e pesquisar muito. Com isso, a leitura e a pesquisa, longe de se tornarem tarefas árduas e/ou penosas, serão altamente prazerosas.  

Mais informações sobre o livro: Como produzir monografias, dissertações, teses, livros e outros trabalhos